segunda-feira, 16 de novembro de 2015

DENÚNCIA DE PESQUISADOR SOBRE ASSASSINATO DO RIO DOCE - MINAS GERAIS-BRASIL

André Ruschi denuncia “assassinato da 5ª maior bacia hidrográfica brasileira”, diz que Samarco precisa ser fechada e critica uso do mar para dispersão da poluição
Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)
O biólogo André Ruschi, diretor da escola Estação Biologia Marinha Augusto Ruschi, em Aracruz (ES), defende o fechamento da Samarco, mineradora responsável pelo rompimento da barragem de resíduos em Mariana (MG). Ele usou uma rede social para falar do impacto em três Unidades de Conservação, em particular o Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cruz, um dos mais importantes criadouros marinhos do Oceano Atlântico.
“O fluxo de nutrientes de toda a cadeia alimentar de 1/3 da região sudeste e o eixo de ½ do Oceano Atlântico Sul está comprometido e pouco funcional por no mínimo 100 anos”, afirma. Ele aponta “assassinato da quinta maior bacia hidrográfica brasileira”, diz que a empresa é reincidente e debochou da prevenção.
Ele também critica o licenciamento para o projeto: “Barragens e lagoas de contenção de dejetos necessitam ter barragens de emergência e plano de contingência. Como licenciar o projeto sem estes quesitos cumpridos?”
Em outra publicação ele fala sobre o “mar de lama” que se tornou a enxurrada de resíduos da Samarco: “Não seria melhor evitar que a lama chegasse ao mar?
Quem teve a brilhante ideia de abrir as comportas das barragens rio abaixo em vez de fechá-las para conter a lama e depois retirar a lama da calha do rio? Quem ainda pensa que o mar tem o poder de diluição da poluição? Isto é um retrocesso da ciência de mais de um século!”
Vejam o depoimento inicial dele, conforme publicado em sua página no Facebook:
“Esta sopa de lama tóxica que desce no rio Doce e descerá por alguns anos toda vez que houver chuvas fortes e irá para a região litorânea do ES, espalhando-se por uns 3.000 km2 no litoral norte e uns 7.000 km2 no litoral ao sul, atingindo três Unidades de Conservação marinhas – Comboios, APA Costa das Algas e RVS de Santa Cruz, que juntos somam uns 200.000 km no mar.
Os minerais mais tóxicos e que estão em pequenas quantidades na massa total da lama, aparecerão concentrados na cadeia alimentar por muitos anos, talvez uns 100 anos.
RVS de Santa Cruz é um dos mais importantes criadouros marinhos do Oceano Atlântico.
Um hectare de criadouro marinho equivale a 100 quilômetros de floresta tropical primária. Isto significa que o impacto no mar equivale a uma descarga tóxica que contaminaria uma área terrestre de de 20 milhões de hectares ou 200 mil km2 de floresta tropical primária. E a mata ciliar também tem valor em dobro.
Considerando as duas margens, são 1.500 km lineares x 2 = 3.000 km2 ou 300 mil hectares de floresta tropical primária.
Vocês não fazem ideia.
O fluxo de nutrientes de toda a cadeia alimentar de 1/3 da região sudeste e o eixo de ½ do Oceano Atlântico Sul está comprometido e pouco funcional por no mínimo 100 anos!
Conclusão: esta empresa tem que fechar.
Além de pagar pelo assassinato da 5ª maior bacia hidrográfica brasileira. Eles debocharam da prevenção e são reincidentes em diversos casos. Demonstram incapacidade de operação crassa e com consequências trágicas e incomensuráveis. Como não fechar? Representam perigo para a segurança da nação!
O que restava de biodiversidade castigada pela seca agora terminou de ir. Quem sobreviverá? Quais espécies de peixes, anfíbios, moluscos, anelídeos, insetos aquáticos jamais serão vistas novamente? A lista de espécies desaparecidas foram quantas? Se alguém tiver informações, ajudariam a pensar.
Barragens e lagoas de contenção de dejetos necessitam ter barragens de emergência e plano de contingência. Como licenciar o projeto sem estes quesitos cumpridos? Qual a legalidade da licença para operação sem a garantia de segurança para a sociedade e o meio ambiente?
Sendo Rio Federal a jurisdição é do governo federal, portanto os encaminhamentos devem serem feitos ao Ministério Público Federal”.
André Ruschi
Estação Biologia Marinha Augusto Ruschi
Aracruz, Santa Cruz, ES


OLHEM POR MINAS GERAIS - BRASIL.


Refugiados da lama instalados em abrigo improvisado.



Publicação no Facebook - Brasil.

VITÍMAS DA BRUTALIDADE PRATICADA CONTRA O POVO.




Publicação no Facebook - Brasil
 Pessoa morta no Rio Doce - Mariana - Minas Gerais - Brasil.

 
Criança morta em uma praia do mar Mediterrãneo, vitíma do naufrágio com fugitivos das atrocidades registradas no Oriente Médio.

QUAL É A DIFERENÇA? ALGUÉM PODE ME EXPLICAR?

domingo, 15 de novembro de 2015

TRAGÉDIA EM MARIANA - O rio Amargo que corre para o mar

Sustentabilidade
Tragédia em Mariana
O rio Amargo que corre para o mar
Rio Doce poderá levar décadas para se recuperar, mas forças poderosas se unem para minimizar o papel da Samarco na tragédia em Mariana (MG)
No dia 6 de novembro uma represa de dejetos de mineração se rompeu em Bento Rodrigues, na cidade de Mariana. Seis mortos, 21 desaparecidos, centenas de casas destruídas e quase uma semana depois nenhuma autoridade de primeiro escalão do Governo Federal se pronunciou a respeito.
A assessoria do Ministério do Meio Ambiente disse que a ministra Izabella Teixeira, está esperando relatórios do presidente da Agência Nacional de Água, Vicente Andreu Guillo e da presidente do Ibama, Marilene Ramos que viajam nesta quarta-feira para a região. Do Palácio do Planalto nenhum ruído, nem para anunciar um possível apoio do Programa Minha Casa Minha Vida aos desabrigados, ou coisa semelhante.
A empresa responsável pelo desastre é a Samarco, uma joint venture entre a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton, que veio a público com os protocolares discursos sobre as medidas que prevenção que são tomadas, mas que há sempre elementos de imprevisibilidade, que está apoiando os desabrigados etc, etc... Tudo o que uma boa assessoria de comunicação em gestão de crises manda fazer.
O jornalista Alceu Luís Castilho, em seu blogno site Outras Palavras, fez uma lista de quem são os controladores das empresas envolvidas, uma parte importante do PIB brasileiro e mundial. Talvez por isso, em tempos de crise econômica, se está esquecendo a amplitude política desse desastre que atravessou parte de Minas, todo o Espírito Santo e vai desembocar no Oceano Atlântico.
O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Altamir Rôso, disse que a empresa “também é uma vítima” e acrescentou em entrevista ao site mineiro Hoje em Dia que “fiscalizar esse tipo de empreendimento não deveria ser função do Estado, que isso poderia ser passado para a iniciativa privada”. Declaração tão surpreendente quanto o fato de o governador Fernando Pimentel ter utilizado uma instalação da Samarco para montar uma coletiva de imprensa.
Outro elemento dessa ópera bufa que está tornando amargo o rio Doce, já expurgado da razão social da Vale, é a preocupação do prefeito de Mariana, Duarte Júnior, que no último dia 9 já demonstrava preocupação em relação ao futuro da empresa em sua cidade, já que a mineração responderia por 80% da arrecadação do município.
Do ponto de vista técnico, não há dúvidas sobre o imenso trabalho que está sendo realizado pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e pelas equipes de Defesa Civil, além de voluntários de toda ordem, que oferecem trabalho e donativos. Mas o que está em questão é a atitude (ou falta dela) política. Nessa hora os principais atores do Governo Federal, diga-se a presidente Dilma, já deveriam estar na região e mobilizando esforços para apoiar a sociedade. A empresa, ora a empresa, essa que se vire com os técnicos e com o Ministério Público.
O governo acionou seus canais burocráticos enquanto a população de Bento Rodrigues sangra.
No final tudo se esvai no esquecimento, inclusive que está em tramitação no Congresso Federal o novo Código de Mineração, PL 5807/2013, que dá à união 12% dos royalties do setor, 23% aos governos estaduais e 65% do dinheiro aos municípios. Como já dizia um famoso delator: “siga o dinheiro”.
PEIXES MORTOS NO LEITO DO RIO DOCE: MORADORES E PESCADORES RELATAM CENÁRIO DE HORROR AO LONGO DO SEU CURSO (FOTO: ASSOCIAÇÃO DOS PESCADORES E AMIGOS DO RIO DOCE)


TRAGÉDIA NO RIO DOCE - (in memorian) - MINAS GERAIS - ESPÍRITO SANTO - BRASIL

fotos; Ecosurf, Janaúba Minas Gerais,


Ecosurf· 


SURF PODE SER IMPEDIDO DE SER PRATICADO NO LITORAL CAPIXABA

CRIME CONTRA A VIDA, CRIME CONTRA OS OCEANOS


São assustadoras as notícias sobre os danos socioambientais que a lama da 
#Samarco irá causar no litoral capixaba.

Cerca de 62 milhões de metros cúbicos de lama vazaram na ruptura das barragens. As próximas enchentes irão trazer toda essa lama para o mar.

O rio Doce irá lançar a lama a mais de 7 km mar adentro e as correntes marítimas do litoral, no chamado Giro de Vitória, e irá levar essa lama no fundo do mar até a capital.

Para se ter uma ideia, Imagine 62 milhões de caixas d'água de 1x1x1 metro espalhadas por todo litoral de Regência até Vitória, com as ondas levando essa lama para a praia. Algo inimaginável irá acontecer por toda essa região.

Se a lama se concentrar numa faixa de 10km de largura do litoral, teremos lama espalhada por 6.200 km do nosso litoral, o que significa todo o litoral brasileiro.

Como irá se concentrar mais na área da foz do rio Doce até Vitória devido o Giro de Vitória, isso nos indica uma consequência assustadora.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

DESASTRE NO VALE DO RIO DOCE - MINAS GERAIS - BRASIL.


As fotos são da fotógrafa ELVIRA NASCIMENTO. Moradora do Vale do Aço  - Minas Gerais.

A fotógrafa Elvira Nascimento vive no Vale do Aço, em Minas Gerais, e fez fotos impressionantes do impacto da passagem da lama de rejeitos da Samarco pelo Rio Doce. As fotos foram feitas entre as cidades de Coronel Fabriciano e Marliéria, nas regiões de Ponte Queimada, Ponte Perdida e Ponte Metálica.
Nas fotos é possível observar a textura da água, além de vários peixes mortos. "Encontramos muitos animais mortos, muitos peixes às margens do rio. É uma tristeza sem fim, porque para a gente o rio está morto", sentencia a fotógrafa.
Elvira contou que atua há algum tempo junto a um grupo que se movimenta em favor do rio por conta da seca, o que torna o fato ainda mais preocupante na opinião da fotógrafa. "É uma água fétida, morta. Falar que não vai causar dano não existe. O rio está seguindo seu curso e matando tudo por onde passa. Em breve chega também ao Espírito Santo", diz.
As fotos de Elvira foram tiradas mais de 24 horas depois da tragédia e cerca de 200 km rio abaixo. 

DESASTRE EM MARIANA - MINAS GERAIS - BRASIL

Sustentabilidade
Tragédia em Mariana
O rio Amargo que corre para o mar
Rio Doce poderá levar décadas para se recuperar, mas forças poderosas se unem para minimizar o papel da Samarco na tragédia em Mariana (MG)
No dia 6 de novembro uma represa de dejetos de mineração se rompeu em Bento Rodrigues, na cidade de Mariana. Seis mortos, 21 desaparecidos, centenas de casas destruídas e quase uma semana depois nenhuma autoridade de primeiro escalão do Governo Federal se pronunciou a respeito.
A assessoria do Ministério do Meio Ambiente disse que a ministra Izabella Teixeira, está esperando relatórios do presidente da Agência Nacional de Água, Vicente Andreu Guillo e da presidente do Ibama, Marilene Ramos que viajam nesta quarta-feira para a região. Do Palácio do Planalto nenhum ruído, nem para anunciar um possível apoio do Programa Minha Casa Minha Vida aos desabrigados, ou coisa semelhante.
A empresa responsável pelo desastre é a Samarco, uma joint venture entre a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton, que veio a público com os protocolares discursos sobre as medidas que prevenção que são tomadas, mas que há sempre elementos de imprevisibilidade, que está apoiando os desabrigados etc, etc... Tudo o que uma boa assessoria de comunicação em gestão de crises manda fazer.
O jornalista Alceu Luís Castilho, em seu blogno site Outras Palavras, fez uma lista de quem são os controladores das empresas envolvidas, uma parte importante do PIB brasileiro e mundial. Talvez por isso, em tempos de crise econômica, se está esquecendo a amplitude política desse desastre que atravessou parte de Minas, todo o Espírito Santo e vai desembocar no Oceano Atlântico.
O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Altamir Rôso, disse que a empresa “também é uma vítima” e acrescentou em entrevista ao site mineiro Hoje em Dia que “fiscalizar esse tipo de empreendimento não deveria ser função do Estado, que isso poderia ser passado para a iniciativa privada”. Declaração tão surpreendente quanto o fato de o governador Fernando Pimentel ter utilizado uma instalação da Samarco para montar uma coletiva de imprensa.
Outro elemento dessa ópera bufa que está tornando amargo o rio Doce, já expurgado da razão social da Vale, é a preocupação do prefeito de Mariana, Duarte Júnior, que no último dia 9 já demonstrava preocupação em relação ao futuro da empresa em sua cidade, já que a mineração responderia por 80% da arrecadação do município.
Do ponto de vista técnico, não há dúvidas sobre o imenso trabalho que está sendo realizado pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e pelas equipes de Defesa Civil, além de voluntários de toda ordem, que oferecem trabalho e donativos. Mas o que está em questão é a atitude (ou falta dela) política. Nessa hora os principais atores do Governo Federal, diga-se a presidente Dilma, já deveriam estar na região e mobilizando esforços para apoiar a sociedade. A empresa, ora a empresa, essa que se vire com os técnicos e com o Ministério Público.
O governo acionou seus canais burocráticos enquanto a população de Bento Rodrigues sangra.
No final tudo se esvai no esquecimento, inclusive que está em tramitação no Congresso Federal o novo Código de Mineração, PL 5807/2013, que dá à união 12% dos royalties do setor, 23% aos governos estaduais e 65% do dinheiro aos municípios. Como já dizia um famoso delator: “siga o dinheiro”.